segunda-feira, 29 de março de 2010

Se me visses agora...

Se me visses agora, saberias que sou tua. Estou fraca, sensível, vulnerável... Não conseguiria esconder que és meu dono, meu pai, meu filho, meu amante, meu amor... Meu senhor. Não conseguiria esconder que, por trás da mulher que se bate por ser livre, está uma outra ansiosa por se entregar, por se prender. Porque aceitar-te me traria uma liberdade maior: de gritar que te pertenço, que só faço sentido em ti e contigo.

Se me visses agora, saberias que sou tua. Porque não estou a conseguir proteger-me do teu efeito, porque não estou a conseguir esconder-me dentro de mim. Toda eu estou na tua orbita, despida do que construí para te afastar de mim.


Se me visses agora, saberias que sou tua... Mas não vês. Não estás. Não conheces este meu eu que nem eu conheço e que me assalta e me domina quando menos preciso. Quando menos quero precisar. Não vês e não estás e eu fico aqui, à espera, a imaginar como seria se visses...

(10 Set. 2008)

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